Autor: Mateus Zanetti

  • A Importância de Anotar Idéias e Compromissos

    A Importância de Anotar Idéias e Compromissos

    Você já deixo de anotar uma ideia brilhante ou um compromisso importante e acabou se esquecendo?

    Pois bem, em um mundo repleto de informações e distrações, nosso cérebro não armazena todos os detalhes da vida moderna. Anotar ideias e compromissos não é apenas uma solução prática — é uma ferramenta poderosa para liberar espaço mental, transformar sua rotina e até mesmo combater a procrastinação.

    Ao registrar seus pensamentos e tarefas, você melhora a memória, organiza suas ideias, aumenta a produtividade, reduz o estresse e acompanha seu progresso com mais clareza.

    Neste artigo, exploraremos os benefícios de anotar, diferentes métodos de anotação, a importância de revisar suas anotações e dicas práticas para anotar de forma eficaz.

    Descubra como essa prática simples pode ajudá-lo a alcançar seus objetivos e manter o foco no que realmente importa.

    Benefícios de Anotar

    Anotar ideias e compromissos vai muito além de um simples hábito — é uma prática que traz benefícios concretos para sua vida pessoal e profissional.

    Aqui estão os principais motivos pelos quais você deveria começar a anotar hoje mesmo:

    • Melhora a memória: Nosso cérebro não armazena todas as informações que recebemos diariamente. Anotar ajuda a lembrar de detalhes importantes sem sobrecarregar a mente. Por exemplo, registrar uma ideia criativa que surge durante uma reunião garante que você não a esqueça, mesmo que sua atenção vá para outras tarefas.
    • Organiza pensamentos: Colocar suas ideias no papel ou em um aplicativo traz clareza e estrutura ao que antes parecia confuso. Imagine criar uma lista de tarefas para um projeto: ao anotar cada etapa, você visualiza o que precisa ser feito e planeja melhor seu tempo e recursos.
    • Aumenta a produtividade: Manter o foco em metas e tarefas fica mais fácil com anotações bem definidas. Uma lista de tarefas diária, por exemplo, ajuda a priorizar o que é mais importante, evitando distrações e garantindo que você avance em direção aos seus objetivos.
    • Reduz o estresse: Esquecer algo importante pode gerar ansiedade, mas anotar elimina essa preocupação. Registrar compromissos em um calendário ou aplicativo de notas assegura que você não perderá prazos ou eventos, trazendo mais tranquilidade ao seu dia a dia.
    • Acompanha o progresso: Anotações são uma excelente forma de monitorar seu avanço em projetos ou metas pessoais. Um diário de conquistas, por exemplo, permite que você registre cada pequeno passo, celebrando o progresso e ajustando o caminho quando necessário.

    Anotar é uma ferramenta simples, porém poderosíssima na melhoria da organização, eficiência e bem-estar. Vejamos agora os métodos mais comuns de anotação.

    Métodos de Anotação

    Há várias maneiras de anotar idéias e compromissos, e a escolha do método certo depende de suas necessidades pessoais, estilo de vida e preferências.

    Abaixo, exploramos os três métodos mais populares — cadernos, aplicativos de notas e post-its — expondo vantagens e desvantagens, para que você escolha um delas ou mesmo as use em conjunto.

    Cadernos

    Os cadernos são uma das formas mais tradicionais de anotação, oferecendo uma experiência tátil e livre de distrações tecnológicas, sendo ideais para quem prefere escrever à mão.

    • Vantagens:
      • Portabilidade: Leves e fáceis de carregar, cadernos podem ser levados para qualquer lugar — reuniões, viagens ou até mesmo para a cama.
      • Independência de tecnologia: Não dependem de bateria, internet ou dispositivos eletrônicos, o que os torna confiáveis em qualquer situação.
      • Personalização: Você pode organizar seu caderno como preferir, seja com desenhos, diagramas ou listas.
    • Desvantagens:
      • Risco de perda ou dano: Cadernos podem ser esquecidos, perdidos ou danificados por água, rasgos ou desgaste.
      • Dificuldade de busca: Encontrar uma anotação específica pode ser demorado, especialmente se o caderno não estiver bem organizado.

    Um caderno serve perfeitamente para registrar reflexões diárias ou fazer brainstorming de ideias, onde a liberdade de escrever sem interrupções é mais importante do que a organização imediata. Entretanto, se a intenção for a organização precisa, o uso de cadernos demandará mais trabalho.

    Aplicativos de Notas

    Com o avanço da tecnologia, os aplicativos de notas, como Evernote e OneNote, tornaram-se uma opção popular para quem busca praticidade e acessibilidade. Eles permitem que você anote e acesse suas ideias de qualquer dispositivo conectado.

    • Vantagens:
      • Acessibilidade: Suas anotações podem ser acessadas de qualquer lugar, seja no smartphone, tablet ou computador, desde que haja conexão à internet.
      • Organização e busca: Muitos aplicativos oferecem ferramentas de busca e categorização, facilitando a localização de notas antigas.
      • Backup automático: A maioria dos serviços salva suas anotações na nuvem, protegendo-as contra perdas.
    • Desvantagens:
      • Dependência de bateria e internet: Sem bateria ou conexão, você pode ficar impossibilitado de acessar suas anotações.
      • Distrações digitais: Ao usar um dispositivo eletrônico, é fácil se distrair com notificações ou outras funcionalidades.

    Aplicativos são ideais para sincronizar anotações entre vários dispositivos, proporcionando acesso rápido, para coisas como listas de tarefas ou notas de reuniões.

    Post-its

    Os post-its são uma solução simples e visual para lembretes rápidos. Seu formato pequeno e adesivo permite que você os cole em locais visíveis, como monitores, geladeiras ou mesas.

    • Vantagens:
      • Visibilidade: Por serem coloridos e fáceis de colar em superfícies, eles servem como lembretes constantes de tarefas ou ideias importantes.
      • Rapidez: São perfeitos para anotar algo rapidamente, sem a necessidade de abrir um caderno ou aplicativo.
    • Desvantagens:
      • Facilidade de perda: Por serem pequenos, podem cair, ser jogados fora acidentalmente ou esquecidos.
      • Limitação de espaço: O tamanho reduzido não permite anotações longas ou detalhadas.

    O uso de post-its é ideal para lembretes de curto prazo, como “ligar para o cliente às 15h”, “comprar leite” ou “retornar a ligação”, colando-os em locais que você olha com frequência.

    Escolhendo o método

    Cada método de anotação tem seu lugar e pode ser mais eficaz dependendo da situação.

    Um caderno é ideal para reflexões mais profundas, enquanto um aplicativo de notas é preferível para listas de tarefas. Já os post-its servem para lembretes visuais rápidos.

    O segredo é escolher o método que melhor se adapta às suas necessidades e, se necessário, combinar mais de um para diferentes propósitos.

    Experimente cada um e descubra qual funciona melhor para você.

    Anotar e Revisar

    Uma vez escolhido o método, revisar suas anotações regularmente é tão essencial quanto o ato de anotá-las.

    Esse hábito vai além de simplesmente registrar informações: ele garante que você as utilize de maneira eficaz, mantendo suas metas, tarefas e ideias sempre em dia e evitando esquecimentos.

    Confira abaixo os principais motivos que tornam a revisão indispensável:

    • Evita esquecimentos: Anotações detalhadas perdem seu propósito se não forem revisitadas. Revisar com frequência ajuda a lembrar compromissos, tarefas e ideias importantes. Por exemplo, ao revisar uma lista de tarefas ao final do dia, você identifica o que foi concluído e o que precisa ser priorizado para o dia seguinte.
    • Mantém o foco: A revisão reforça suas prioridades e objetivos, ajudando a manter a atenção no que realmente importa. Reler suas anotações regularmente reafirma suas metas, evitando que distrações atrapalhem seu progresso, especialmente em projetos de longo prazo.
    • Facilita ajustes: Revisar suas anotações permite avaliar o que está funcionando e o que precisa ser ajustado. Se uma ideia ou plano não está dando os resultados esperados, a revisão oferece a oportunidade de reavaliar e adaptar sua abordagem.

    Revisar anotações não é apenas uma questão de memória — é uma estratégia para transformar informações em ações concretas. Ao fazer da revisão um hábito, você maximiza o valor do que registra e mantém suas metas vivas e alinhadas com seus objetivos.

    Dicas Práticas para Anotar de Forma Eficaz

    Para ajudar você a aproveitar ao máximo suas anotações, reunimos dicas práticas e simples. Confira abaixo:

    • Registre compromissos: Anote todos os seus compromissos, desde reuniões até prazos importantes. Use um calendário ou uma lista de tarefas para garantir que você esteja sempre ciente do que precisa fazer e quando.
    • Use bullet points: Estruture suas ideias e tarefas em listas com bullet points. Isso facilita a leitura e organiza seus pensamentos de forma clara. Por exemplo, ao listar tarefas do dia, coloque cada uma em um bullet separado para visualização rápida.
    • Inclua datas e horários: Sempre que registrar compromissos, adicione a data e o horário. Essa prática é essencial para manter o controle do seu tempo e evitar perder prazos ou eventos. Um exemplo seria anotar “Entrega do relatório – 20/10, 17h”.
    • Categorize por temas ou projetos: Separe suas anotações por assuntos ou projetos, como “Trabalho”, “Estudos” ou “Pessoal”. Em aplicativos, use etiquetas ou pastas; em cadernos, crie seções específicas. Assim, você encontra o que precisa com mais facilidade.
    • Anote ideias rapidamente: Capture suas ideias no momento em que surgirem para não esquecê-las. Use ferramentas práticas, como post-its para lembretes visíveis ou um aplicativo de notas no celular para registrar algo em qualquer lugar.
    • Escolha um sistema personalizado: Encontre um método que combine com você, seja um caderno para quem prefere escrever à mão ou um app para quem busca praticidade digital. Teste diferentes opções e adapte o sistema à sua rotina.

    Conclusão

    Anotar ideias e compromissos é uma prática simples, mas transformadora, que pode revolucionar sua vida pessoal e profissional. Ela melhora a memória, organiza pensamentos, aumenta a produtividade e reduz o estresse, trazendo benefícios reais ao dia a dia.

    Seja por meio de cadernos, aplicativos ou post-its, há um método para cada estilo — e revisá-los regularmente, com dicas práticas, potencializa ainda mais seus efeitos.

    Anotar é a ferramenta poderosa e acessível que libera sua mente, te guia rumo aos seus objetivos e traz clareza e tranquilidade. Coloque essas ideias em prática, experimente diferentes abordagens e descubra o que funciona para você.

  • As Virtudes Cardeais e Seu Papel no Cotidiano

    As Virtudes Cardeais e Seu Papel no Cotidiano

    As virtudes são qualidades fundamentais que elevam o ser humano, guiando suas ações para o bem e alinhando-o ao seu propósito natural.

    Assim, segundo Santo Tomás de Aquino, uma virtude é um hábito operativo bom que aperfeiçoa as faculdades da alma — como razão, vontade e apetites.

    Neste artigo, exploramos as quatro virtudes cardeais – prudência, temperança, fortaleza e justiça – explicando seu papel e como cultivá-las na vida cotidiana.

    O Que São as Virtudes?

    As virtudes são a excelência da alma, tornando a pessoa boa e suas ações bem ordenadas. Elas surgem da repetição de atos retos, fortalecendo a disposição para escolhas corretas, e são divididas em:

    • Virtudes intelectuais: Como a prudência, que aprimora a razão.
    • Virtudes morais: Como justiça, temperança e fortaleza, que regulam ações e paixões.

    Portanto, praticar as virtudes é essencial para viver com sabedoria e harmonia, sendo elas pilares para uma vida ética e plena.

    Prudência: A Rainha das Virtudes

    A prudência é a virtude intelectual que aprimora a razão prática. Deste modo, ela capacita o intelecto a identificar o verdadeiro bem em cada situação e escolher os meios certos para alcançá-lo.

    Chamada de auriga virtutum (condutora das virtudes), a prudência orienta todas as outras, dando direção às decisões.

    Na prática, a operação da prudência acontece em três etapas:

    1. Deliberação: Análise das opções.
    2. Julgamento: Avaliação do melhor caminho.
    3. Comando: Ação com determinação.

    A prudência é o uso da inteligência como um guia confiável, sendo essencial para orientar a ação das demais virtudes com precisão em situações concretas.

    Temperança: O Equilíbrio dos Prazeres

    A temperança é a virtude moral que regula o apetite concupiscível, moderando prazeres sensíveis como comida, bebida e conforto. Contudo, ela não elimina os desejos, mas os alinha à razão, regulando-os e evitando que dominem a pessoa.

    Por exemplo, quem tem temperança desfruta de uma refeição sem exagerar, preservando saúde e dignidade.

    Esta virtude restaura a harmonia interior, subordinando impulsos à vontade racional. Assim, ela permite usar os prazeres de forma ordenada, trazendo serenidade e foco aos objetivos maiores.

    Fortaleza: A Força Diante das Dificuldades

    A fortaleza é a virtude moral que aperfeiçoa o apetite irascível, dando firmeza para enfrentar desafios e perigos em busca de um bem maior. Neste sentido, ela canaliza emoções como coragem e ira para ações racionais e perseverantes, equilibrando resistência e iniciativa.

    Na prática, a fortaleza se manifesta em atos de constância, como suportar adversidades ou agir com coragem controlada.

    Todavia, diferente de impulsividade, a temperança harmoniza o apetite irascível com a razão, tornando a pessoa resiliente e capaz de superar obstáculos sem fraquejar.

    Justiça: O Alicerce da Convivência

    A justiça é a virtude moral que aperfeiçoa a vontade, regulando as relações humanas ao dar a cada um o que lhe é devido — seja bens, honra ou respeito. Diferente das outras virtudes, que organizam o interior, a justiça foca no bem externo, promovendo equilíbrio social.

    Na prática, ela orienta a vontade para decisões justas, como devolver algo perdido ou valorizar o trabalho alheio. A justiça exige uma disposição interior de reconhecer a dignidade dos outros, sendo essencial para o bem comum e a harmonia nas interações.

    Por Que Cultivar as Virtudes Cardeais?

    As virtudes cardeais — prudência, temperança, fortaleza e justiça — nos ajudam a tomar decisões mais acertadas, a controlar impulsos que podem nos desviar do caminho e a manter o foco no que realmente importa.

    Por exemplo, a prudência nos guia em escolhas difíceis, enquanto a fortaleza nos dá coragem para superar obstáculos. Cultivar essas virtudes não é apenas um exercício de autodomínio, mas uma forma de construir uma vida mais equilibrada e significativa, beneficiando tanto a nós mesmos quanto as pessoas ao nosso redor.

    Além disso, as virtudes cardeais promovem relações mais saudáveis e uma convivência harmoniosa. A justiça, por exemplo, nos ensina a respeitar os direitos dos outros, criando laços de confiança e cooperação. Já a temperança evita excessos que poderiam prejudicar nossa saúde ou nossas interações sociais.

    Por fim, ao buscar as virtudes cardeais — prudência, temperança, fortaleza e justiça —, alcançamos o que a filosofia chama de “vida boa”, uma prática constante do bem que resulta em felicidade verdadeira e duradoura.

  • As Faculdades da Alma: Um Guia para a Mente Humana

    As Faculdades da Alma: Um Guia para a Mente Humana

    As faculdades da alma são capacidades internas que moldam como percebemos o mundo, tomamos decisões e buscamos o bem-estar.

    Esses conceitos, explorados pela filosofia e psicologia, especialmente nas obras de Aristóteles e Santo Tomás de Aquino, oferecem intuições valiosas para quem deseja autoconhecimento.

    Neste artigo, exploraremos as principais faculdades humanas e como elas influenciam nossa vida prática.

    Sentido Comum: A Base das Faculdades Sensitivas

    O sentido comum é uma das faculdades interiores que integra as percepções dos cinco sentidos externos – visão, audição, tato, olfato e paladar.

    Ele funciona como um elo entre o corpo e a alma, unificando essas impressões para criar uma visão coerente do mundo. Por exemplo, é o sentido comum que nos permite distinguir o som de uma voz da textura de um objeto, ajudando-nos a navegar pela realidade de forma prática.

    Razão: A Faculdade da Avaliação Prática

    Entre as faculdades sensitivas internas – como sentido comum, imaginação e memória – está a razão, também chamada de cogitativa ou de razão particular.

    No ser humano, a razão é elevada pelo intelecto, mas foca em avaliar situações específicas com base em percepções sensoriais e experiências acumuladas.

    Diferentemente da razão intelectual, que abstrai conceitos universais, essa faculdade prepara o terreno para decisões práticas.

    Suas funções incluem:

    • Reconhecimento de perigos;
    • Escolha de recursos;
    • Resposta a emoções;
    • Estimativas.

    Exemplos da razão operando são reconhecer o perigo diante de um cão raivoso, a reação imediata às emoções, a decisão de se é seguro atravessar a rua quando há um carro vindo, o reconhecimento se um alimento é próprio para comer e outras coisas.

    Apetite Concupiscível: A Busca pelos Bens Sensíveis

    O apetite concupiscível é uma das faculdades da alma sensitiva que nos inclina a bens agradáveis, como comida, descanso ou afeto.

    Essa faculdade é naturalmente boa, mas exige equilíbrio – ou temperança – para evitar excessos, como a gula. Por exemplo, desejar comer é saudável, mas priorizar o prazer da comida acima da saúde reflete um desajuste que pode levar a um mal – a obesidade.

    Para que os bens desejados pelo apetite concupiscível sejam benéficos é necessário que eles se encaixem dentro de uma hierarquia (por exemplo, a saúde é superior ao prazer da comida), sendo que tal ela é percebida através dos intelectos.

    Apetite Irascível: A Força das Faculdades em Desafios

    Diferente do concupiscível, o apetite irascível é a faculdade que nos impulsiona à busca dos bens difíceis, que são aqueles que só são alcançados após o enfrentamento de uma dificuldade, como superar um medo, alcançar a harmonia familiar ou persistir em um objetivo.

    Ligada a emoções como coragem, ira e esperança, essa faculdade é necessária em situações desafiadoras – por exemplo, um estudante se preparando para o vestibular, resistindo ao repouso em prol do estudo.

    Quando o apetite irascível não está desenvolvido, é comum que a pessoa desista de seus objetivos nas primeiras dificuldades, pois não tem o ímpeto para superá-las.

    Intelecto Ativo: A Luz das Faculdades Intelectivas

    O intelecto ativo, ou intelecto agente, é uma das faculdades mais elevadas da alma. Ele transforma impressões sensoriais (também chamados de fantasmas) em conceitos universais, permitindo o conhecimento profundo.

    Ao ver uma árvore, por exemplo, o intelecto ativo abstrai a ideia de “árvore” além de suas particularidades. Basicamente, todo o ato de pensar discursivamente é a ação do intelecto ativo.

    Esta faculdade permite ao homem transcender o material, buscando verdades mais elevadas ao discernir as essências das coisas além dos aspectos acidentais.

    Intelecto Passivo: O Depósito do Conhecimento

    O intelecto passivo, ou “intelecto possível” é uma das faculdades da alma que armazena os conceitos universais abstraídos pelo intelecto ativo.

    Descrito como uma “tábua rasa”, o intelecto passivo recebe formas inteligíveis – como o conceito de “árvore” – a partir das impressões sensoriais já processadas pelo intelecto ativo, funcionando como o depósito do conhecimento humano.

    Essa faculdade é receptiva, sendo atualizada pelo intelecto ativo, e tem capacidade ilimitada, crescendo com a experiência. Sua operação é silenciosa, evidente ao recordar ou aplicar conceitos, e interage com outras faculdades, como a vontade, para decisões práticas.

    O intelecto passivo, por sua natureza imaterial, sugere um potencial espiritual, possibilitando a contemplação de verdades eternas, tal a essência de Deus.

    Vontade: A Faculdade das Escolhas Conscientes

    A vontade, ou apetite racional é uma das faculdades racionais da alma, que inclina o homem ao bem percebido pelo intelecto. Ela se distingue dos apetites sensíveis ao operar de forma livre e deliberada, permitindo escolhas entre diferentes bens ou meios para alcançá-los.

    Ela é ativa e dinâmica, combinando conhecimento intelectual com ação prática. A vontade reflete e decide, sendo a sede da liberdade e da responsabilidade.

    Por exemplo, ao optar por um bem maior em vez de um prazer imediato, a vontade demonstra sua capacidade de ordenar os desejos, mesmo que, por erro, possa confundir o verdadeiro bem.

    A vontade, por sua natureza espiritual, reflete a liberdade da alma e aponta para a busca do Bem Supremo, identificado na filosofia clássica como Deus.

    Ela é essencial para a vida moral, permitindo ao homem alinhar suas escolhas com a razão e aspirar a uma realização última, como a felicidade eterna na visão beatífica.

    Conclusão

    As faculdades da alma – sentido comum, razão, apetite concupiscível, apetite irascível, intelecto ativo, intelecto passivo e vontade – formam um conjunto harmonioso que reflete a complexidade da natureza humana.

    Cada uma delas, desde as sensitivas, que conectam o homem ao mundo material, até as intelectivas e volitivas, que o elevam ao espiritual, colabora para a busca do bem e da verdade, guiando o homem em sua jornada prática e moral.

    Juntas, as faculdades revelam a unidade da alma, permitindo ao homem alcançar sua plenitude na busca pelo bem e pela realização plena de sua natureza.

    Para aprofundar

    Para aprofundamento na questão das faculdades da alma, ficam as seguintes sugestões:

    • De Anima, de Aristóteles;
    • Comentário ao De Anima, de Santo Tomás de Aquino;
    • Tratado do Homem (Suma Teológica, 1ª Parte), de Santo Tomás de Aquino.
  • Conheça as distrações digitais

    Conheça as distrações digitais

    As distrações digitais são um desafio na vida contemporânea, em que o uso dos dispositivos eletrônicos é frequente, e às vezes excessivo. Desde notificações incessantes até o uso excessivo de redes sociais, as distrações podem afetar significativamente a produtividade, a saúde mental e o equilíbrio entre lazer e trabalho.

    Quais são as principais distrações digitais e qual seu impacto? 

    As principais distrações digitais incluem redes sociais, notificações constantes de aplicativos, mensagens instantâneas e e-mails. Plataformas de streaming e jogos online também são fontes de distração.

    Ao fragmentarem a atenção, torna-se difícil manter o foco em tarefas complexas, sendo que estudos mostram que cada interrupção chega a requerer até meia hora para a retomada do estado de concentração original.

    A diminuição da eficiência no trabalho ou estudos pelas distrações pode ser particularmente frustrante além de predispor à procrastinação.

    Qual o problema das notificações constantes?

    Notificações constantes são interrupções que ativam o desejo de verificar o conteúdo imediatamente, diminuindo a eficiência do trabalho e do estudo e contribuindo o aumento da ansiedade e da sensação de sobrecarga mental.

    As interrupções frequentes podem gerar um ciclo de dependência, no qual a busca por distrações digitais torna-se uma forma de aliviar o tédio ou evitar tarefas difíceis. Já no longo prazo, pode haver uma redução da capacidade de manter o foco por períodos prolongados.

    Qual é o papel das redes sociais no aumento das distrações digitais?

    As redes sociais são projetadas para capturar e reter a atenção do usuário por meio de estratégias intencionalmente envolventes, pois elas lucram conforme os usuários estão conectados e disponíveis para receber publicidade.

    Para manter os usuários, as redes têm diversos recursos, como a rolagem infinita de conteúdos, que torna mais difícil para o usuário se desconectar voluntariamente. Também os algoritmos são projetados para oferecer conteúdos que correspondam aos interesses do usuário.

    A experiência da rede social dificulta o controle sobre o uso do tempo, podendo criar um ciclo de dependência, no qual os usuários se sentem compelidos a retornar frequentemente para verificar atualizações e interações sociais, como mensagens diretas e curtidas.

    Desta forma, a retenção prolongada leva à fragmentação da atenção e à redução da capacidade de concentração em outras atividades importantes, como trabalho, estudos ou interações presenciais.

    Quais são os sinais de excesso de distrações?

    Alguns problemas podem surgir, tais como:

    • Dificuldades para completar tarefas sem interrupções.
    • Sensação de ansiedade ao se estar desconectado ou longe dos dispositivos eletrônicos.
    • Perda de produtividade.
    • Negligência de responsabilidades ou relacionamentos devido ao uso excessivo da tecnologia.
    • Problemas de sono, como dificuldade em desconectar antes de dormir, insônia ou sono de baixa qualidade.
    • Compulsão pelo uso de dispositivos eletrônicos, mesmo durante interações sociais ou momentos de lazer.
    • Esquecimento frequente de compromissos ou prazos.

    O uso excessivo de dispositivos digitais pode afetar a saúde?

    Sim. O uso excessivo de dispositivos digitais como computadores, celulares e tablets pode afetar a saúde, sobretudo a saúde mental.

    As principais sensações que podem surgir são ansiedade e insônia. Também, de forma indireta, pode surgir um sentimento de insatisfação com a própria vida advinda do tempo dado às distrações digitais ao invés de atividades pessoalmente significativas.

    Conclusão

    As distrações digitais representam um fenômeno central na vida moderna, envolvendo desde notificações e redes sociais até plataformas de entretenimento.

    Elas não são apenas interrupções momentâneas, mas desafios profundos que afetam nossa capacidade de foco, produtividade e equilíbrio emocional.

    Ao entendermos como as distrações digitais moldam nossos hábitos e comportamentos, podemos fazer escolhas alinhadas aos nossos objetivos pessoais e profissionais.

  • Criando um ambiente de estudos

    Criando um ambiente de estudos

    Um ambiente adequado para os estudos facilita a atividade intelectual. O principal motivo é que a ordem exterior predispõe à ordem interior, ou seja, o ambiente aprimora a inteligência.

    Ninguém duvida que estudar em um lugar quente, mal cheiroso, com intensa movimentação de pessoas, barulhento, escuro e cheio de distrações seja ruim. Todas estas atrapalham pois ou desviam a atenção ou colocam uma limitação à atividade intelectual.

    Raramente as casas têm um ambiente de estudos planejado. Em geral aproveitam-se os espaços que sobram, improvisando-se alguma organização, quer permanente quer temporária. Entretanto, mesmo nestas condições é possível melhorar a experiência para torná-la mais eficaz e agradável.

    Ergonomia

    Ergonomia é a adequação do mobiliário à característica física do usuário. Por exemplo uma cadeira para uma criança é diferente daquela para um adulto. Da mesma forma, a altura da cadeira deve variar conforme a altura do usuário.

    Sessões longas de estudo pedem que se leve em conta a ergonomia sob a pena do desconforto físico, que atrapalhará a concentração e eventualmente trará dores para o estudante.

    Havendo a possibilidade, deve-se investir em um bom conjunto de escrivaninha e cadeira de escritório. Caso não se possa, deve-se tentar adaptar ao máximo a situação, por exemplo usando durante a sessão de estudos uma cadeira mais confortável de outro cômodo da casa.

    Iluminação do ambiente de estudos

    A iluminação é um fator importantíssimo, e deve ser um fator que proporcione ao mesmo tempo conforto visual e funcionalidade.

    Sempre que possível, deve-se posicionar a mesa ou escrivaninha de tal forma que possa aproveitar a iluminação natural, cuidando para que a incidência de luz solar não seja direta, o que seria desconfortável.

    Para as sessões noturnas ou início e final do dia, uma luminária de mesa é um item indispensável: o foco da luz, voltado ao material de estudo, realça os contornos das letras, facilitando a leitura.

    Também é preciso atentar-se à iluminação geral do ambiente: é preferível a cor amarelada a neutra para a lâmpada principal. As lâmpadas brancas, por sua cor, tendem a cansar a visão mais rápido quando usadas para ambientes inteiros e devem ser reservadas para focos de luz.

    Ventilação, temperatura e organização

    A ventilação e a temperatura são aspectos essenciais para garantir um ambiente de estudos confortável e produtivo.

    A circulação de ar fresco promove bem-estar e favorece a concentração e o desempenho cognitivo. Janelas abertas ou o uso de ventiladores ajudam a manter o ambiente ventilado, enquanto aparelhos de ar-condicionado podem ser utilizados para ajustar a uma temperatura confortável.

    Estudos apontam que temperaturas entre 20°C e 22°C são ideais para o estudo, pois evitam tanto a sonolência quanto o desconforto causado por calor ou frio excessivo. Manter um controle adequado da temperatura evita distrações e cansaço, favorecendo longos períodos de concentração.

    A organização e a limpeza do espaço de estudo é igualmente crucial para a eficiência e o foco. Um ambiente limpo e organizado contribui para a clareza mental e a motivação, ao passo que um espaço desordenado pode gerar distração e estresse.

    Além disso, uma área de estudo organizada reduz a sensação de sobrecarga e induz um estado mental mais tranquilo e preparado para absorver conhecimento.

    Os materiais de estudo, como livros, cadernos e canetas, devem estar sempre à mão e em locais de fácil acesso, evitando a necessidade de interromper o trabalho para procurá-los.

    Prateleiras, gavetas, porta-lápis e organizadores são itens que podem melhorar a organização.

    Personalizando o ambiente de estudos

    A personalização do espaço torna-o mais acolhedor e convidativo ao refletir o estilo e as preferências de quem o utiliza.

    A escolha de cores, decorações, plantas, porta-retratos e objetos influencia positivamente a motivação, podendo trazer a sensação de calma, relaxamento, familiaridade e conforto ao ambiente: a sessão de estudo torna-se mais agradável (ou menos maçante).

    E não é necessário gastar dinheiro para realizar a personalização. Basta reunir coisas carregadas de significado e deixá-las posicionadas para que adornem o ambiente.

    Eletrônicos e distrações

    O uso de aparelhos eletrônicos no ambiente de estudos deve ser considerado com cautela, pois pode se tornar um facilitador para a procrastinação.

    Havendo real necessidade de uso, computadores e celulares podem ser usados sem medo. Entretanto, se o acesso a redes sociais, jogos, sites de notícias ou quaisquer outras distrações eletrônicas for um problema, é preferível guardas os aparelhos para usá-los depois.

    Água e comida

    Manter-se hidratado e sem fome ajuda a manter a concentração.

    Para a hidratação, pode-se manter uma garrafa d’água por perto ou usar chás e sucos naturais. O café também pode ser uma boa alternativa para melhorar o foco.

    Já o consumo de alimentos não deve acontecer no ambiente de estudos, uma vez que pode-se sujar o material utilizado com pedaços de comida. Entretanto, isto não é um impedimento para comer, pois é sempre possível fazer uma pausa para apreciar uma fruta ou fazer um lanche leve.

    Conclusão

    Criar um ambiente de estudos personalizado é um investimento que traz benefícios diretos ao seu desempenho e bem-estar. Um espaço adequado é mais do que um local físico: ele é um fator determinante para o desempenho e o bem-estar do estudante.

    A combinação de uma organização eficiente, conforto ergonômico, boa iluminação e controle de distrações cria um espaço propício à concentração e ao aprendizado.

    Além disso, a personalização do ambiente com plantas e objetos de valor pessoal, torna a experiência de estudar mais agradável.

    Ao dedicar tempo para montar um espaço confortável e funcional, aproveita-se melhor cada sessão de estudo, aumentando a produtividade e reduzindo o estresse.

    Pequenos ajustes fazem a diferença, cujo impacto será sentido na capacidade de se concentrar e alcançar objetivos.

  • O que é a ansiedade?

    O que é a ansiedade?

    A ansiedade é uma resposta emocional antecipada a uma ameaça percebida no futuro, diferentemente do medo, que é uma resposta imediata a uma ameaça presente.

    A ansiedade é uma reação natural e parte integrante da experiência humana, podendo ser útil para nos preparar e proteger de possíveis perigos. Entretanto ela pode se tornar desproporcional e interferir negativamente na vida cotidiana.

    De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR) da American Psychiatry Association, ela pode manifestar-se por meio de sintomas físicos. Tensão muscular e aumento da vigilância são exemplos assim como a adoção de comportamentos de cautela e esquiva, que buscam evitar situações percebidas como ameaçadoras.

    Distinguir quando a ansiedade é normal ou patológica é importante. A ansiedade normal implinca na proporcionalidade ao contexto ou à situação vivida e diminui quando o fator desencadeante desaparece ou diminui. Um exemplo de reação normal é o sentimento que surge antes de uma apresentação em público ou de uma prova importante.

    Já a patológica é aquela que persiste de maneira excessiva, desproporcional e recorrente, mesmo quando não há uma ameaça real ou imediata. A ansiedade patológica impacta o o convívio social, e a vida profissional quanto pessoal do indivíduo.

    A ansiedade também está relacionada a diversos problemas de saúde mental, como transtornos de ansiedade generalizada, transtornos de pânico, fobias específicas e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Além disso, pode ser um componente significativo de alguns quadros de procrastinação, na medida em que o medo do fracasso ou de críticas futuras faz com que a pessoa adie tarefas ou compromissos.

    Tratamento e manejo da ansiedade

    O tratamento da ansiedade varia conforme sua intensidade e o impacto na vida da pessoa, podendo incluir psicoterapia, medicação e mudanças no estilo de vida.

    No âmbito da psicoterapia, o paciente recebe orientação para identificar e modificar padrões de pensamento disfuncionais de medo e preocupação excessiva, juntamente com o enfrentamento de outras questões emocionais e afetivas que ele tenha.

    Já a intervenção medicamentosa irá atuar na regulação da atividade cerebral através de medicamentos de diversas classes.

  • Organização com a regra dos dois minutos

    Organização com a regra dos dois minutos

    A organização é um esforço contínuo que requer cuidados constantes, tal como não deixar para depois pequenas tarefas que demandem pouco esforço.

    A eficácia da regra vem da percepção que o tempo para arquivar a demanda pequena e posteriormente rememorá-la é superior a dois minutos.

    A regra dos cinco minutos consiste em realizar imediatamente qualquer tarefa que surja e seja solucionável em até dois minutos, evitando a desordem e a procrastinação.

    Surgimento da regra

    A regra dos dois minutos para a organização surgiu através do livro de David Allen, Getting Things Done – GTD (“A Arte de Fazer Acontecer“).

    A premissa básica é que melhoramos a organização se resolvemos as pequenas tarefas imediatamente, pois o trabalho de se recordar e solucionar no futuro será maior que no presente.

    Por exemplo, deixar de marcar na agenda um compromisso que acabou de surgir e postergar para o futuro poderá trazer problemas, como:

    • Esquecer o compromisso;
    • Esquecer dos detalhes;
    • Necessidade de buscar informações (facilmente disponíveis no início);
    • Calendário desatualizado, e eventualmente agendamento de outro compromisso no mesmo horário;

    Benefícios para a organização

    Resolução rápida de tarefas

    Acontece tanto uma acumulação de questões quanto uma sobrecarga mental sempre que se deixa de tratar as pequenas tarefas.

    A regra dos dois minutos é uma disciplina muito útil para resolver logo todos os problemas fáceis, assim não se tornam questões trabalhosas no futuro.

    Podemos pagar a conta de luz imediatamente, se tivermos saldo na conta bancária, mas se deixamos de pagar, um problema rápido de dois minutos pode ganhar contornos de calamidade em um corte de energia.

    Melhora da organização e produtividade

    A melhora da organização e da produtividade é possivelmente o maior benefício da regra dos dois minutos.

    Por exemplo, um executivo que tenha de ler um volume muito grande de mensagens vindas de seus pares e dos seus subordinados terá um trabalho imenso no futuro caso não dê resposta às demandas conforme surjam.

    Eventualmente o executivo terá de dedicar muitas horas para responder posteriormente, entretanto com a desvantagem de já ter lido, de não se recordar claramente da situação e ter de retomar o assunto posteriormente.

    O uso da regra dos dois minutos evita retrabalho para tarefas pequenas, pois a solução é dada tão logo que apareçam, aumentando a agilidade no cotidiano.

    Diminuição de interrupções

    A urgência de hoje já foi uma demanda do passado.

    Quando deixamos as tarefas de dois minutos passarem e se acumularem, elas ressurgem posteriormente como distrações significativas, tanto como demandas imediatas quanto como pensamentos intrusivos que impedem o foco no trabalho do presente.

    Calendário atualizado

    Agendar o quanto antes os compromissos assumidos é a melhor forma de manter sempre o calendário atualizado.

    Ao se tomar o hábito de usar a regra dos dois minutos, todo compromisso que chegar será imediatamente anotado na agenda, assim calendário estará atualizado.

    Redução da procrastinação

    A procrastinação é o vício de postergar atividades importantes. A regra dos dois minutos é uma poderosa arma para lutar contra este mal.

    Quando usada, a regra cria o hábito da ação imediata, ou seja, estimula a ação contrária à procrastinação.

    Aproveitamento de oportunidades

    Diz o ditado que cavalo selado não passa duas vezes.

    Uma oportunidade exige uma tomada de decisão rápida, seja para aceitá-la seja para rejeitá-la. Se a situação estiver já clara, a regra dos dois minutos garante que uma resposta será dada.

    Modelando a regra

    A regra dos dois minutos pode ser modelada para atender às necessidades de cada um.

    Por exemplo, alguém poderá alterar o tempo da regra de dois para cinco, dez ou até vinte minutos, caso sua vida peça por esta adaptação.

    Por sua vez, o princípio de organização permanece o mesmo: deve-se fazer imediatamente toda tarefa que tome pouco tempo.

    Quando não usar a regra?

    A regra dos dois minutos não é um critério absoluto. Eventualmente haverá situações inoportunas para aplicá-la.

    Por exemplo, quando estamos em uma atividade que peça nossa plena atenção, sem possibilidades de interrupções. Neste caso devemos solucionar a tarefa depois de terminar.

    No fundo, é uma questão de bom senso.

  • O que é coaching?

    O que é coaching?

    Coaching é uma técnica de desenvolvimento pessoal e profissional baseada na interação por perguntas eficazes do coach para o cliente, tendo surgido nos anos 70 a partir do treinamento de tênis.

    O processo envolve avaliação da situação presente, definição de metas, desenvolvimento de um plano de ação, acompanhamento da execução e avaliação.

    Além disso, o coaching acontece em ciclos com número fechado de sessões, com objetivos definidos claros definidos desde o início.

    Objetivos do coaching

    O principal objetivo do processo é desenvolver no cliente (também chamado de coachee) a autoconsciência e a responsabilidade.

    A autoconsciência é a capacidade de perceber-se quanto a seus próprios pensamentos, sentimentos, crenças, expectativas, reações, virtudes e vícios, tendências, limitações e capacidades.

    A autoconsciência surge de uma meditação serena sobre si mesmo, que é estimulada pelo coach através de exercícios específicos ao longo das sessões.

    A tomada de responsabilidade também é crucial, pois quando o cliente assume como seus os aspectos bons e maus de sua vida, aí ele ganha o poder de escolha para deixar situações ruins para trás e escolher as melhores.

    Em contrapartida, os objetivos específicos do processo irão depender da circunstância que cada cliente traz para o coach, tais como:

    • Definição de metas pessoais;
    • Transição de carreira;
    • Melhoria da comunicação;
    • Aprimoramento de liderança;
    • Conquista de habilidades;
    • Desenvolvimento pessoal;
    • Equilíbrio entre vida pessoal e trabalho;
    • Gestão do estresse;
    • Enfrentamento da procrastinação;
    • Desenvolvimento da criatividade;
    • E tomada de decisões específicas.

    Etapas do processo de coaching

    O processo de coaching é estruturado em sessões, que envolvem ao menos cinco etapas:

    • Conversa inicial
    • Diagnóstico
    • Estabelecimento de metas
    • Plano de ação
    • Execução
    • Avaliação

    Também é importante destacar que cada etapa tem suas particularidades, com atividades específicas para cada um deles.

    Conversa inicial

    Na conversa inicial coach e cliente estabelecem um acordo de coaching, que inclui o alinhamento sobre as demandas e expectativas do cliente, a forma de atendimento, custos e condutas éticas aplicáveis (como as do ICF).

    O objetivo desta etapa é evitar mal entendidos durante o processo e estabelecer uma relação de confiança entre as partes, sem a qual não é possível avançar no ciclo.

    Além disso, é crucial esclarecer a diferença entre coaching e outras modalidades de atendimento, como mentoria, consultoria e terapia.

    Em seguida o coach elaborará um plano de trabalho para desenvolver junto ao cliente, de forma a atender todos estes requisitos.

    Diagnóstico e estabelecimento de metas

    Após a conversa inicial, a primeira atividade do ciclo de coaching costuma ser a de diagnosticar a situação atual do cliente.

    O coach poderá usar estratégias como o exercício do Círculo da Vida, que é uma avaliação realizada em estado atual e estado desejado de dez aspectos da vida do cliente, os quais recebem notas de zero a dez.

    Os pilares são:

    • Espiritualidade;
    • Relacionamentos significativos (não amorosos);
    • Saúde e bem estar;
    • Conjugal e romance;
    • Filhos e sucessão;
    • Diversão e criatividade;
    • Financeiro e prosperidade;
    • Profissão e carreira;
    • Crescimento pessoal;
    • Emocional.

    A partir das diferenças entre a nota desejada e a nota atual, o cliente é convidado a selecionar quais pontos serão alvo do ciclo de coaching.

    É comum que nesta fase tanto o cliente experimente surpresas pelo aumento súbito da autoconsciência quanto tenha intuições valiosas sobre o que ele deve fazer daí por diante.

    Em seguida, escolhidos os pilares de intervenção do ciclo atual, podem ser aplicados exercícios para a visualizar o estado desejado, com o da Lista de Sonhos.

    O exercício da Lista de Sonhos é uma lista de realizações que o cliente deseja. Durante o exercício, ele deve se abster de julgar se os sonhos são factíveis, concentrando-se sobretudo em colocar todos os seus desejos no papel.

    Na segunda etapa do exercício, passa-se à escolha daqueles objetivos mais significativos, conforme a fase de diagnóstico, aplicando-se a técnica SMART para cada meta selecionada.

    Plano de ação

    O plano de ação é a ponte que liga o estado atual ao estado desejado. Neste momento, o coach conduzirá o cliente por meio de perguntas eficazes a construir um plano de ação.

    As principais perguntas são resumidas no acrônimo 5W2H (em inglês):

    WhatO que será feito?Detalhamento das etapas
    WhyPor que será feito?Justificativa ou relevância
    WhereOnde será feito?Local
    WhenQuando será feito?Prazo
    WhoQuem fará?Responsabilidade
    HowComo será feito?Método ou estratégia
    How muchQuanto custará?Recursos
    Perguntas do 5W2H

    Ao final, o cliente terá uma lista de tarefas a cumprir para atingir seus objetivos.

    Execução

    Se houver responsabilidade nesta etapa, o resultado final do coaching estará aquém do esperado. Cabe ao cliente implementar as mudanças a que ele se comprometeu, após a sessão do plano de ação.

    É normal que a execução do plano não saia exatamente como planejado, e é nesta etapa em que o cliente investiga pontos fortes e fracos da sua execução.

    Novamente o coach fará uma série de perguntas com o objetivo de conduzir a reflexão do cliente sobre a execução que ele realizou.

    Avaliação e encerramento

    Ao final, pode-se repetir exercícios avaliativos como Círculo da Vida para mensurar o quanto se alteraram as notas de cada pilar.

    O cliente então será convidado a listar quais foram suas principais mudanças, seus ganhos, aprendizados e decisões tomadas, bem como o coach também pode apresentar relatórios das atividades desenvolvidas, caso tenha sido o combinado ao início do processo.

    Se o cliente desejar continuar realizando sessões de coaching, ele deverá iniciar um novo ciclo, que irá abordar novos assuntos, à sua escolha.

    E o que não é coaching?

    É comum usar o termo coaching de forma inespecífica, gerando confusão com outras práticas, especialmente mentoria, consultoria e terapia.

    Embora todas elas possam ter aspectos em comum, como a forma de atendimento, a confidencialidade e o vínculo profissional formado com o cliente, cada uma tem suas particularidades.

    A terapia serve para resolver uma queixa de sofrimento psíquico do paciente. O terapeuta identifica e resolve problemas sobretudo de ordem afetiva e comportamental.

    A consultoria é a contratação de um profissional especialista, o consultor, que dá sua opinião e propõe uma intervenção sobre um problema específico que o cliente esteja enfrentando. Portanto, o uso da consultoria é sobretudo para questões profissionais e empresariais.

    A mentoria estabelece uma relação entre mentor e cliente em que o profissional ativamente dá as diretrizes de conduta que o cliente deve realizar. É importante que o mentor tenha expertise quanto ao tema da mentoria, uma vez que o cliente será predominantemente passivo em relação às suas ordens.

    Por sua vez, o coaching estabelece uma relação em que o cliente participa ativamente do processo. Assim, função do coach é instigá-lo através de perguntas e exercícios, sem necessidade de conhecer o tema tratado.

    De fato, o coaching não depende do conhecimento que o coach tenha do tema trazido pelo cliente. Aliás, é preferível que o coach não conheça o problema trazido pelo cliente, uma vez que o sucesso do ciclo é atrelado mais à promoção da responsabilidade e autoconsciência do que é ao estabelecimento de um plano de ação.

  • Como surgiu o coaching?

    Como surgiu o coaching?

    O livro que inspirou o coaching é na verdade um livro sobre o treinamento de jogadores de tênis.

    Em 1974, W. Timothy Gallwey escreveu “The Inner Game of Tennis“, no qual se postula que durante o jogo, o tenista enfrenta dois adversários. O primeiro é o adversário exterior, e o segundo o adversário interior.

    O adversário interior são os medos, as dúvidas, o nervosismo, as distrações e outras coisas.

    Não demorou para que pessoas do mundo corporativo percebessem o quanto aqueles conceitos poderiam ser aplicados à vida profissional, para fora das quadras de tênis.

    O autor passou a dar cursos de tênis presenciais e teve a colaboração de John Whitmore, autor de “Coaching for Performance“.

    Whitmore relata em seu livro que a demanda pelos cursos de tênis por parte de pessoas do mundo de negócios cresceu tanto que chegou o momento em que não havia mais instrutores tenistas disponíveis. Por isto, decidiu-se usar instrutores que não jogavam tênis para ministrar cursos para os alunos, o que levou a um resultado surpreendente.

    Os instrutores que não jogavam tênis, não conseguiam dar dicas para os alunos sobre como eles deveriam jogar, focando sua atuação sobretudo nas perguntas eficazes sobre a percepção dos alunos sobre seu próprio desempenho.

    O desfecho foi um resultado final superior ao daquele obtido pelos instrutores tenistas. Deste modo, concluiu-se que o coach não precisa ser especialista naquilo que o cliente precisa realizar, mas ao contrário, ser especialista tende a piorar o resultado final, pois a tentação de sugerir soluções atrapalha o desenvolvimento da responsabilidade e da autoconsciência do cliente.

  • Metas claras e alcançáveis: alcançando sonhos com o método SMART

    Metas claras e alcançáveis: alcançando sonhos com o método SMART

    Você conhece a metodologia SMART?

    Muitos sonham por anos com uma viagem, uma reforma, um carro, boa forma, uma família feliz, uma faculdade ou uma boa carreira.

    Entretanto, na realidade, o sonho não basta.

    Pode-se considerar que o sonho é o ponto de chegada, que é o objetivo final, o qual precisa de uma seqüência longa de tarefas específicas para se concretizar.

    Por sua vez, para que as tarefas sejam planejadas, é preciso haver clareza sobre o que se deseja alcançar: o sonho precisa deixar de ser um devaneio para se tornar um marco específico a alcançar, ou seja, uma meta.

    Neste artigo vamos descrever as características de metas claras e alcançáveis, as quais ficaram conhecidas pelo acrônimo SMART.

    O que significa SMART?

    SMART é um acrônimo em inglês para:

    • Specific (específica);
    • Measurable (mensurável);
    • Achievable (alcançável);
    • Relevant (relevante);
    • Time-bound (com prazo).

    O conjunto destes elementos garante clareza e favorece o pensamento quanto a quais ações devem ser realizadas para torná-la realidade.

    O método SMART está muito ligado à gestão de projetos e ao coaching, mas qualquer um pode se beneficiar se as colocar em prática.

    Vamos entender em detalhe o que cada item significa.

    Características SMART

    Specific (específica)

    Toda meta precisa ser específica, pois é isto que dá clareza ao objetivo desejado. Metas vagas são apenas devaneios.

    Enquanto que uma meta vaga como “emagrecer” pouco ajuda na definição de uma estratégia, a meta “emagrecer dez quilos” traz um critério sólido para determinar o sucesso.

    O risco de uma meta vaga é não reconhecer se ela foi alcançada ou não. Do exemplo, alguém poderia interromper seu processo de emagrecimento quando tivesse perdido apenas dois quilos ao invés dos dez. Também seria possível

    Veja abaixo exemplos de como transformar metas vagas em metas específicas.

    Meta vagaMeta Específica
    Quero ter um emprego bom.Quero um emprego que me pague o valor R$ 10.000,00.
    Quero perder peso.Quero perder dez quilos
    Quero aprender mais.Quero cursar uma especialização na minha área de atuação.
    Quero economizar dinheiroQuero economizar R$ 500,00 por mês.
    Quero ler maisQuero ler 10 páginas por dia.
    Exemplos de metas vagas e metas específicas

    E quão específica a meta precisa ser?

    A meta precisa ser específica o suficiente para garantir a ação concreta e adequada para a realidade de vida de cada pessoa.

    Por exemplo, “aprender inglês” pode ser especificada tanto como “aprender inglês para conseguir ler a documentação técnica” quanto “aprender inglês para conseguir fluência e atingir a nota requerida no Toefl para entrar numa universidade americana”.

    No caso, a mesma meta vaga, quando especificada, toma diferentes graus de especificidade para atender à necessidade de pessoas diferentes.

    Measurable (mensurável)

    A meta precisa ser mensurável, precisa de medida, pois assim é possível avaliar o avanço de cada pessoa na direção de seu objetivo.

    Conhecer o ritmo de progresso é outro benefício de ter uma meta mensurável.

    Veja abaixo exemplos de como estabelecer medidas.

    Tipo da metaMedida possível
    EmagrecimentoQuilos perdidos
    Família e relacionamentosHoras dedicadas aos relacionamentos pessoais
    CarreiraValor do salário
    EstudoHoras de estudo por semana
    FinançasDinheiro economizado por mês; valor total investido
    LeituraNúmero de páginas lidas
    VendasNúmero de contatos com potenciais clientes
    Medidas possíveis para metas

    Achievable (alcançável)

    Toda meta precisa ser alcançável. Metas impossíveis ou que desconsiderem a realidade só servem para gerar ansiedade e desesperança.

    Entretanto, não se deve ceder ao pessimismo no momento de estabelecer metas e ser pouco exigente consigo mesmo.

    Metas difíceis e desafiadoras, quando fundamentadas nas capacidades de ação de cada um, são o elo de ligação entre o sonho e a realidade.

    Um jovem muito pobre desejar ser um médico cirurgião é algo plenamente realizável, desde que ele reconheça as dificuldades inerentes ao processo e deseje enfrentar e vencer uma a uma. Esta meta é alcançável, mas desafiadora.

    Para determinar se uma meta é alcançável, é preciso auto-avaliação. Algumas perguntas úteis para o processo incluem:

    • Qual a minha situação atual, com suas possibilidades e limitações?
    • Quais são as etapas intermediárias para alcançar esta meta?
    • Eu tenho (ou posso conseguir) os recursos necessários?
    • A meta reflete otimismo excessivo ou pessimismo?
    • Esta meta serve tanto de estímulo quanto de desafio?
    • Eu verdadeiramente acredito que sou capaz de alcançar?

    Relevant (relevante)

    Se uma meta não for relevante para uma pessoa, ela não trará frutos quando for alcançada. O processo todo terá sido um desperdício de tempo, energia e recursos.

    Algumas perguntas para refletir sobre a relevância são:

    • Como esta meta está alinhada às minhas aspirações mais altas enquanto ser humano?
    • Quando eu alcançar esta meta, de que maneira ela contribuirá com minha vida pessoal e profissional?
    • O quanto esta meta reflete a minha vontade e o quanto ela reflete a vontade de outras pessoas?
    • Para atingir esta meta, o quanto de tempo, energia e recursos são necessários?
    • O que eu estou disposto a fazer para atingir meta?
    • O que acontecerá se esta meta não for atingida?

    Time-bound (com prazo)

    Prazo é importante.

    E bastaria dizer isto, mas para explicitar a questão, segue uma lista de benefícios em estabelecer prazos claros:

    Planejamento

    Cozinhar um almoço em quinze minutos é diferente de cozinhar o almoço em duas horas.

    Conhecer o tempo que temos disponível para executar uma tarefa permite planejar quais são as ações adequadas e como distribuí-las ao longo do tempo.

    Motivação

    Procrastinação é um problema, e ter um prazo é parte da solução.

    Ter uma data limite gera uma sensação de urgência, que costuma estimular a ação, além de desestimular adiamentos.

    Avaliação de progresso

    Com um prazo definido, é possível avaliar o progresso em direção à meta.

    Por exemplo, se alguém colocar para si a meta de economizar R$ 12 mil em um ano e chegar a outubro com apenas R$ 4 mil, ela saberá que terá de ajustar sua ação se quiser alcançar seu objetivo.

    Redução de estresse e ansiedade

    Quando há um prazo, a avaliação da execução pode ser realizada com critérios racionais, tornando mais claro o cenário, e dando menor margem para a imaginação de riscos absurdos, o que reduz estresse e ansiedade.

    Agora que vimos as características das metas pelo método SMART, vamos unir estes

    Juntando tudo

    Após tomar ciência das características das metas eficazes pelo método SMART, é preciso uni-las para que sirvam de auxílio à execução dos sonhos.

    Alguns exemplos podem ajudar:

    • Emagrecer 10 quilos até o fim do ano, através de uma dieta equilibrada e exercícios regulares;
    • Participar de um curso de oratória e fazer discursos em público pelo menos uma vez por mês para melhorar a oratória;
    • Praticar piano 30 minutos por dia e aprender a tocar três composições clássicas até o próximo ano;
    • Dedicar uma noite por semana para um encontro romântico com meu cônjuge;
    • Meditar diariamente por 20 minutos durante os próximos três meses;
    • Economizar 15% da minha renda mensal para criar um fundo de emergência de R$ 10.000 até o final do próximo ano.
    • Dedicar pelo menos quatro horas por mês para apoiar causas de caridade e comunidade.

    Conclusão

    Lembre-se os sonhos pedem esforço para que se tornem realidade. E o primeiro passo é entender melhor quais são as etapas da sua execução.

    Uma forma de começar é usar o método SMART para garantir que nenhum ponto importante ficou negligenciado logo na partida.

    Lembre-se a eficiência da meta requer que ela seja:

    • Específica;
    • Mensurável;
    • Alcançável;
    • Relevante;
    • Com prazo.

    Com isto em mente, faça agora o exercício de escolher um dos seus sonhos e formulá-lo como uma meta SMART. Quando terminar, avalie se todas as cinco características estão presentes.

    Quando seus sonhos forem metas eficazes, você terá alguma chance de transformá-los de devaneios em realidades. Tenha coragem e vá em frente. A vida merece ser vivida.